As águas vão rolar
Por Kleber Mingau
As coisas nesse mundo estão intimamente ligadas, não é difícil perceber. Nas questões ambientais, grande parte das soluções dependem de vontade política – Seja breve Kleber, não fique enrolando com meia hora de introdução – OK!, assim farei.
Uma prática vem sendo comum na tentativa de minimizar o impacto gerado pelo abandono da camada asfáltica da nossa avenida principal, diariamente (excluso dias chuvosos), por horas, comerciantes utilizam-se de água tratada para molhar o resultado de operações tapa-buracos sem a menor preocupação com a qualidade dos materiais. Em um período de crise ambiental esse desperdício é de se lamentar. Mas estaria eu sendo justo se apontasse o dedo a estas pessoas? Não deve ser nada agradável ter um estabelecimento onde a poeira é parte integrante do cenário, inclusive se for um posto de lavagem ou um supermercado, estabelecimentos estes que necessitam de aspectos de limpeza e higiene para funcionarem.
Já não vale mais aquela velha desculpa do período das chuvas, ou da crise econômica. Outro dia, voltando de Aracaju, o taxista disse: “-Como a Barra está horrível”. Fico imaginando o que ele diria caso conhecesse outras localidades do nosso município. A última operação tapa-buracos foi feita para o show da banda Aviões do Forró, os forrozeiros do estado todo vieram e encontraram o cenário um pouco maquiado, mas e depois como ficamos? Fadados a conviver com os buracos? Quebrando nossos carros, motos e bicicletas? Sujando nossas ruas? Respirando poeira? ...
Alguém avise para os “responsáveis” que piçarra ali não adianta, que em tempos de chuva tudo é lavado e piora a situação? Acho que não precisa não é? É?
Enquanto isso, um recurso natural tão trabalhosamente tratado e tão escasso em diversas regiões, é desperdiçado pela inércia daqueles que deveriam nos representar. Discursos ambientais vêm sendo usados em larga escala por empresas e políticos, é preciso uma visão atenta para perceber algumas falácias.
Sei que existem ruas muito piores no município, mas e agora? Vamos ficar satisfeitos comparando a rua mais esburacada? O gestor “menos pior?” A promessa mais fantasiosa? A desculpa mais bem elaborada? Ou esquecer que os problemas existem, passar devagar por eles (buracos) para não se machucar ou quem sabe mudar de trajeto até o dia em que teremos que escolher entre o buraco fundo e o buraco muito fundo.
Muitas águas ainda irão rolar, literalmente e infelizmente.


